Finanças

Capital de giro: como calcular e qual sua importância

Por Cashforce • 5 de outubro de 2020

Engana-se quem acredita que o capital de giro só deve existir em empresas grandes. Muitos especialistas afirmam que o mau gerenciamento pode levar empresas à falência, como veremos a seguir. 

Independente do tamanho da empresa, o mercado em que se faz presente e o tempo que atua, o capital de giro pode representar a sua saúde e potencial de crescimento, ajudando empresários de todo ramo e o ciclo financeiro da empresa.

A seguir, você irá aprender o que é o capital de giro, como ele pode beneficiar a sua empresa, quais cuidados precisa ter e quais estratégias poderá utilizar para manter o seu de forma saudável.

É importante ressaltar que os cuidados com o seu capital de giro devem ser mantidos durante toda a vida da empresa, não só em momentos de crise. Por isso, como dica, salve este conteúdo e os materiais visuais para tirar dúvidas sempre que precisar.

O que é capital de giro?

O capital de giro consiste nos recursos necessários para realizar o financiamento das operações contínuas da empresa, abrangendo modalidades como:

  • Pagamento de fornecedores e funcionários;
  • Recursos para financiamento;
  • Pagamentos de impostos;
  • Contas de água, internet, energia e aluguel;
  • Recursos financeiros para o estoque;
  • Entre outras despesas.

Ele é composto por valores utilizados a curto prazo, com o objetivo de realizar a manutenção financeira e das atividades contínuas da empresa, equilibrando os valores que entram e saem.

Como um ativo circulante, ele não contempla somente o dinheiro que está no caixa, mas investimentos de alta liquidez, ou seja, que possuem um grande retorno e podem ser resgatados a qualquer momento, como valores em conta corrente, por exemplo.

Com isso, o capital de giro não abrange investimentos fixos como veículos, máquinas e imóveis, por exemplo, pois não podem ser utilizados para custear os gastos da empresa, já que são necessários para as suas operações.

Para que serve capital de giro?

Em poucas palavras, o capital de giro é responsável por manter sempre um valor disponível para o pagamento de contas frequentes da empresa — por isso ele é essencial em todas as empresas —, mas o seu funcionamento é um pouco mais complexo.

Desta maneira, é possível ter determinadas conclusões com a análise e resultado do seu capital de giro, tais como:

  • Eliminar dívidas a curto prazo, como manutenções de equipamentos;
  • É possível manter ou aumentar as vendas;
  • Caso esteja pagando contas com grande velocidade;
  • Se está adquirindo pagamentos lentamente;
  • Se há possibilidade de expansão;
  • Entre outras respostas.

Para conservar um negócio de portas abertas, é preciso manter sempre os custos operacionais e contínuos de uma empresa em dia, a fim de evitar gastos maiores a curto ou longo prazo.

A partir disso, surge a necessidade de manter o capital girando para dentro e fora da empresa. Com isso, um dos principais papéis do capital de giro é evitar endividamentos, seja com empréstimos, dívida com pagamentos e impostos e outras despesas.

Outras funções do capital de giro

Outra função do capital de giro é se tornar uma reserva para determinado período com baixo volume de vendas, em que clientes não realizam compras ou não efetuam o bastante para suprir os seus gastos.

Nesse caso, é importante ressaltar que o aumento de investimentos não significa ter um bom capital de giro. Não se trata da quantidade de dinheiro que entra em uma empresa, mas em como ela controla o que entra e sai, equilibrando os valores da maneira correta.

Por exemplo, se uma empresa aumenta o investimento em produção para vender mais em um período de pouca demanda no mercado, a fim de suprir o baixo volume de compras, isso representa um tiro no pé.

Outro ponto é que, mesmo que uma empresa tenha feito investimentos em ativos fixos, ou seja, maquinários mais modernos, novos imóveis, veículos mais atualizados, entre outros, isso não significa que ela está isenta de passar por problemas com o capital de giro.

Em um descuido e com mal planejamento financeiro empresarial, esse investimento pode até se tornar um fator para que o capital de giro seja afetado. Por isso, diversos cuidados são aplicados para ter um bom resultado a curto e longo prazo.

O capital de giro ajuda empresas a manter o fluxo de entrada e saída de maneira saudável, por isso, investimento realizado não representa retorno garantido. Existem diversos fatores que devem ser analisados para ter certeza que o seu capital de giro é necessário.

A importância do capital de giro em uma empresa

Sendo essencial para todos os negócios, principalmente para pequenas e médias empresas, o capital de giro pode evitar que empresas façam dívidas ou tenham altos gastos e pouco retorno.

Em momentos de crise, como a provocada pelo coronavírus em 2020, o capital de giro pode ser utilizado como uma reserva.

Esta reserva ajuda a suprir os gastos da empresa em um momento de instabilidade financeira, principalmente devido à redução de faturamento.

Evitar a inadimplência é, sem dúvida, uma das prioridades de qualquer negócio, principalmente das pequenas e médias empresas, mais suscetíveis ao endividamento a curto e longo prazo.

Com a redução de faturamento, essas empresas ficam mais propensas a essa situação, principalmente para recorrer a empréstimos para suprir os gastos durante uma crise e manter o ciclo operacional da empresa.

Além das crises, existem modelos de negócio que assumem uma necessidade maior sobre o controle do capital de giro. Por exemplo, uma empresa que fabrica árvores de Natal precisará de recursos em todo o ano, não só no fim do ano. 

Da mesma forma como empresas que faturam mais em épocas escolares, de férias (como negócios que atuam com turismo), entre outras datas sazonais. É preciso manter as contas pagas em todo o ano.

A importância de ter o controle do capital de giro da sua empresa se dá por diversos fatores e deve ser analisada criteriosamente.

Para entender como ele pode ser analisado em sua empresa, é preciso realizar um cálculo simples, como veremos a seguir.

Como calcular o meu capital de giro?

Em termos técnicos, o capital de giro é o resultado da diferença entre o ativo circulante (aplicações financeiras, contas a receber, pagamentos de clientes, etc.) e o passivo circulante (custos que sempre existirão, como contas de água e energia). 

O seu capital de giro é o que sobra do que você tem, com o que precisa pagar em determinado período, basicamente. Quanto maior esse resultado, mais saudável financeiramente é a sua empresa.

A diferença entre o ativo e o passivo circulante também é chamado de capital circulante líquido. Caso a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante seja muito pequena ou negativa, é preciso rever toda a situação do negócio.

Um dica é realizar essa análise anualmente e acompanhar em determinados períodos menores dentro de um ano, avaliando se as expectativas estão sendo atingidas.

Para calcular o capital de giro, você precisar determinar o período que deseja analisar, seja ele mensal, trimestral, um ano ou outros períodos. Depois disso, siga os seguintes passos:

  1. Some todas as suas contas a receber com o valor que você possui em estoque do período escolhido;
  2. Subtraia todas as contas a pagar deste mesmo período;
  3. Some o valor a pagar de impostos e despesas;
  4. O resultado é o seu capital de giro.
Cálculo de capital de giro

Em casos onde o resultado é positivo

Caso o seu resultado tenha sido positivo e a diferença apresentada seja relativamente grande, isso significa um bom trabalho. Você está conseguindo manter o equilíbrio financeiro entre o capital que entra e sai da sua empresa, e precisa manter esse controle para continuar com a possibilidade de saldar dívidas a curto prazo.

Em casos onde o resultado é negativo

Caso o resultado tenha sido negativo, é possível recorrer a empréstimos e outros recursos. É possível também iniciar a procura por investidores, a fim de levantar dinheiro suficiente para manter o seu negócio, de acordo com a situação.

Por outro lado, existem empresas que continuam as suas atividades com um capital de giro negativo. Isso acontece quando há um fluxo muito mais rápido, muitas vezes, devido a venda de produtos que acontece antes da cobrança com o fornecedor, por exemplo.

A alta rotatividade de estoque e o recebimento de pagamentos de clientes feitos em curto prazo (muitas vezes à vista), muito comum em supermercados e redes de fast-food, não exige dessas empresas um grande resultado para o capital de giro, mas ainda assim se faz necessário.

Já para outros negócios em que o recebimento da compra é feito a longo prazo, e raramente à vista ou em poucas parcelas, a chance de ter problemas com o capital de risco é maior. 

Por isso, a média do resultado pode variar de acordo com o setor, mas ainda assim reflete resultados parecidos, como a real saúde financeira da empresa e as chances de expandir. Caso seja viável comparar resultados de empresas, é indicado que elas sejam do mesmo setor.

Um resultado negativo ou baixo indica uma crise de liquidez, ou seja, a possível falta ou queda de ativos circulantes da empresa, além do mau gerenciamento dos ativos circulantes, citados anteriormente. Em todos os cenários, a necessidade de adotar medidas para controlar o capital de giro se faz necessária.

Como controlar o capital de giro?

Muitos especialistas recomendam que o controle do capital de giro seja feito em períodos maiores. De fato, realizando com controle e análise a curto prazo, a fim de acompanhar os resultados.

Mesmo sendo causados por muitos fatores, especialistas como José Kobori afirmam que o capital de giro mal administrado é um dos principais motivos para que empresas fechem as portas.

Ou seja, mais do que crises e outros fatores que causam medos em empresários. Por exemplo, uma má gestão de capital de giro é um mal que afeta muitas empresas, mesmo que elas mal saibam.

Por isso, entender como evitar ou reverter a situação é essencial para dar continuidade às atividades.

Olhando além

Crises sempre estão no futuro. Por isso, se preparar é sempre uma excelente forma de se prevenir e manter o capital de giro da sua empresa o mais saudável possível.

Acompanhe o mercado, mantenha-se atualizado(a) e planeje medidas emergenciais para períodos de turbulência. A recuperação de uma crise dura até o pós dela.

Dessa forma, você deve definir um capital de giro para durante e após uma crise. Isso é suficiente para manter as contas da sua empresa em dia e evitar empréstimos e outros endividamentos.

Controle as contas a pagar e receber

Tenha um controle preciso das suas contas a pagar e a receber. Utilize planilhas e outros recursos para controlar e planejar os gastos dos próximos meses, assim como as contas a receber.

Defina valores e observe os gastos do mês para garantir que os próximos meses serão como o planejado. Uma dica é o uso de plataformas que possam auxiliar nessa gestão. Pesquise por softwares e outros recursos para organizar e registrar todos os dados. 

Ainda sobre o controle de contas a pagar e a receber, não deixe de repor gastos caso seja necessário retirar algum valor do caixa devido a determinadas urgências.

Neste Webinar realizado pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), é possível entender melhor a gestão do fluxo de caixa e o capital de giro:

Seja exigente consigo mesmo(a) com o controle financeiro da sua empresa, principalmente em momentos de prosperidade. Isso poderá salvar a sua empresa em diversos momentos de uma possível crise.

Acompanhe os seus clientes

Principalmente em momentos de crise, além de olhar para as suas contas a pagar e a receber, você deve acompanhar o ritmo dos seus clientes. 

Em um período difícil assim, o volume de clientes inadimplentes cresce. Para considerar esse índice, é preciso ter uma previsão para, pelo menos, três meses por meio de uma projeção financeira.

Com esse planejamento, será possível identificar o quanto de capital de giro você precisará para cobrir o recebimento de vendas, buscando novas formas de suprir esse valor.

Revise os seus custos

Um bom controle do capital de giro começa com uma boa revisão dos gastos. Essa manutenção exige um acompanhamento rígido dos últimos e próximos meses, adaptando compras e produção com o ritmo do mercado e dos clientes.

Como se deve saber, a redução do faturamento exige redução de gastos. Além de não comprometer o orçamento, mantém o capital de giro de forma mais saudável. 

Aplique as medidas necessárias

Ao perceber a necessidade de tomar medidas para um controle maior do capital de giro da sua empresa, é preciso aplicar determinadas estratégias (ou mais de uma), de acordo com o atual cenário e urgência da empresa. Dentre as estratégias, destacamos as seguintes:

  • Renegociamento de dívidas;
  • Fortalecer a política de cobrança;
  • Obter linhas de crédito para determinadas operações;
  • Avaliar criteriosamente condições de pagamentos mais vantajosas;
  • Reduzir ao máximo os custos da empresa.

Negocie sempre que possível

Faça negociações com fornecedores, distribuidores e outros parceiros sempre que possível. Uma boa negociação começa com uma boa relação. Por isso, é importante fidelizar para poder negociar de forma segura e garantir ganhos para todas as partes.

Avalie compras e vendas a curto e longo prazo, juros e taxas, assim como descontos aplicados em compras e vendas à vista. Para clientes, avalie as propostas dos concorrentes antes de aplicar alguma.

Antecipe o seu pagamento

Muitas empresas atualmente oferecem a possibilidade de antecipação de recebíveis. Isso permite que você possa receber de uma venda antes do período estabelecido, geralmente após a entrega dos produtos.

Essa possibilidade permite prazos de pagamentos mais flexíveis para compradores e recebimentos mais rápidos para vendedores, mas é preciso se atentar aos juros e parcelas de pagamentos juntos às instituições financeiras que disponibilizam esse serviço, buscando sempre taxas acessíveis de antecipação.

Busque financiamentos alternativos

Para muitas empresas, o financiamento é uma chave para manter o capital de giro de maneira controlada, já que há maior controle em pagamentos e produção — fatores que podem afetar o capital de giro.

Dessa maneira, o fornecedor garante capital para produção e assegura o comprador de que a quantidade e valor da mercadoria será recebida. Sendo assim, é importante pesquisar e conhecer novas formas de obter um financiamento com taxas mais adequadas.

Dentro da Supply Chain Finance existem diversas linhas de crédito alternativas aos bancos, pois oferece mais segurança para os dois lados, influenciando de forma positiva no capital de giro das duas partes.

Possibilitando essa ação, a Cashforce possui um marketplace de crédito com ferramentas para essa função, disponibilizando financiamentos com taxas variadas e de financiadores diferentes, permitindo melhor decisão de quem precisa de capital, já que é possível visualizar todas as propostas.

Além do financiamento da cadeia de suprimento feito diretamente de compradores para fornecedores, ainda é possível recorrer a outras linhas de crédito alternativas aos bancos, que podem oferecer taxas mais acessíveis e formas de pagamento mais flexíveis.

O capital de giro para empresas

Como visto, o capital de giro assume uma importância muito maior do que mais um método de controle financeiro. Sendo importante, inclusive, para tomada de decisão dentro de uma empresa, avaliando sua saúde em diversos âmbitos.

Em um artigo para a McKinsey, Ryan Davies e David Merin afirmam que os benefícios vão além do financeiro. O que é verdade, já que um capital de giro saudável também representa o potencial de crescimento e quais os erros e áreas que precisam de um olhar mais cuidadoso.

Saiba como a Cashforce te ajuda com o seu capital de giro: cashforce.com.br


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